Na Argentina, o Clausura 2011/12 vai chegando ao seu fim e, faltando uma rodada, o tradicional Club San Lorenzo de Almagro, está sendo rebaixado para a B Nacional (a segunda divisão da Argentina) pela primeira vez desde 1981. Precisa ganhar do San Martín de San Juan e torcer para um resultado negativo do Banfield
Igual muitos campeonatos da América do Sul, o processo pra definir (chamado de promédio) as pontuações não é apenas os resultados da temporada (Apertura e Clausura) disputada. É levado em conta também os resultados das duas últimas e, de fato, o San Lorenzo mostrou uma queda impressionante. Em 2009/10, 52 pontos. Em 2010/11, 47. E na atual, só somou 41.
Pra vocês terem idéia da campanha do San Lorenzo nessa temporada, foram, até agora, contando Apertura e Clausura, 10 vitórias, 11 empates e 16 derrotas, sendo 8 destas em pleno Nuevo Gasômetro.
E o San Lorenzo luta pra não cair diretamente. Se conseguir seu objetivo, o San Lorenzo vai para a ''zona de promoción'', enfrentar o 3º colocado da B Nacional.
E esse 3º colocado da B Nacional pode ser outro gigante da Argentina.
Não conseguindo ganhar os 2 confrontos da zona de promoción, o River Plate caiu pra B Nacional na temporada passada. Na atual temporada, o River divide a liderança da B com o Instituto Córdoba com 70 pontos, mas é seguido de perto por Quilmes e Rosario Central, que possuem 69. E o campeonato por lá também vai pra última rodada.
Será que o Ciclón, time com uma das torcidas mais apaixonadas da Argentina, vai cair de novo depois de tantos anos? Ou será que pode se salvar na zona de promoción?
Não é à toa que as palavras ''épico'' e ''drama'' são de origem grega.
Em Varsóvia, a seleção da Grécia vinha totalmente desacreditada pra última rodada do Grupo A da Euro 2012. Enfrentaria a seleção russa que, apesar do empate com a anfitriã Polônia, vinha mostrando um futebol impressionante, e tudo dava a crer que os gregos não poderiam segurar o impiedoso ataque russo (5 gols em 2 jogos) mesmo com a fama da defesa, sólida como a Acrópole de Atenas, que foi vazada 3 vezes em 2 jogos.
Porém, apesar do cenário pouco animador, a Grécia dependia apenas de si mesma. Uma vitória era o bastante.
Logo no começo do jogo, a Grécia assustou numa cobrança de falta. A bola foi lançada na área e, se não fosse a interceptação do goleiro Malafeev, Salpingidis certamente a mandaria pro fundo das redes.
Mas foi só isso também.
Os russos tomaram o controle do jogo e pressionavam de todas as formas, mesmo precisando apenas do empate. Eram chutes de fora da área, bolas paradas... E a Grécia seguia na famosa retranca esperando uma oportunidade de contra-ataque. E quando a tinha, todos procuravam o gigante Samaras, mas as tentativas eram em vão.
O tempo passou e, nos acréscimos do primeiro tempo, uma falha em cobrança de lateral foi o bastante para o camisa #10 Karagounis arrancar pela ponta, chegar de frente ao goleiro russo, e finalmente abrir o placar: Grécia 1x0 Rússia.
Que ironia (grande marca de Sócrates). O time que tanto se defendia, conseguiu seu objetivo em um dos seus únicos ataques. A notícia do gol transferiu o drama pra cidade de Wrocław, onde jogavam Polônia e República Tcheca, que estavam morrendo abraçadas.
No segundo tempo, quase o mesmo cenário do primeiro. Gregos na defesa, esperando a chance de decidir no contra-ataque. Tanto que a única chance destacável da Grécia nesse período foi uma bola no travessão depois de uma cobrança de falta de Tzavellas. E os russos, soberanos, atacavam buscando apenas um golzinho que fosse para garantir sua classificação sem depender de ninguém. E aí estava o problema.
Lembram o jogo de Wrocław? Se saísse um gol por lá, seja de quem fosse, quem voltava pra casa mais cedo era a Rússia. E aconteceu.
Jiráček limpou a zaga polonesa, deu um toquinho tirando do goleiro, e calou boa parte do Estádio Municipal de Wrocław. Os tchecos venciam por 1x0.
O drama voltava pra Varsóvia, mas com um protagonista diferente. Agora os russos atacavam ainda mais desesperados, porque o gol que antes era só pra tranqulizar, agora era causa de vida ou morte.
Mais uma vez, os russos tiveram incontáveis chances. O terceiro goleiro grego Sifakis, do Aris Thessaloniki, não deixava nada passar. E quando passava, algo evitava que a bola fosse pro gol. Seria a mão dos deuses? Seja o que for, nada passou.
Na ausência do seu próprio gol, os russos esperavam o empate dos poloneses, que pressionavam os tchecos. Mas o tempo passou de novo. Gregos e tchecos se seguraram e se classificaram pras quartas de final da Euro 2012.
Após tanta dificuldade (principalmente por causa de erros de arbitragem) desde o começo da competição, os gregos (sejam eles jogadores, técnico, torcedores...) fnalmente podiam comemorar, principalmente Karagounis, o herói, que sem dúvida foi o jogador que mais sentiu a intensidade destes 3 jogos.
Vendo as circusntâncias antes do jogo, foi um feito épico. E deixo esta ilíada em homenagem à garra dos guerreiros gregos que, não importa o que acontecer depois, deverão ser lembrados por esta atuação nestes solos poloneses.